quarta-feira, março 28, 2007
sexta-feira, março 23, 2007
Parabéns kareka!!!
quarta-feira, março 07, 2007
Vida
A vida pode ser fingida
pode ser contida
ao invés de enebriante
fogaz som de surdina
Talvez escondida
e de herói navegante
Talvez uma sina
de cigana perdida
Quem sabe o que o mar nos traz
perdido na areia um instante
um momento de paz
encontrado ao relento
um recanto incessante
de fogo perdido no vento
que vem de trás para a frente
e jura cantar, assobiar
harmonia desafinada
balança o encanto
de inesperados desafios
de amor e facada
que a vida mostra
que a vida serve
como num banquete
de florins e festins
de bestas e princesas
bem amadas
mal amadas
a vida mente
a vida é verdade
é a flor que se cheira
num crepúsculo de esperança
numa noite de temperança
pode ser contida
ao invés de enebriante
fogaz som de surdina
Talvez escondida
e de herói navegante
Talvez uma sina
de cigana perdida
Quem sabe o que o mar nos traz
perdido na areia um instante
um momento de paz
encontrado ao relento
um recanto incessante
de fogo perdido no vento
que vem de trás para a frente
e jura cantar, assobiar
harmonia desafinada
balança o encanto
de inesperados desafios
de amor e facada
que a vida mostra
que a vida serve
como num banquete
de florins e festins
de bestas e princesas
bem amadas
mal amadas
a vida mente
a vida é verdade
é a flor que se cheira
num crepúsculo de esperança
numa noite de temperança
domingo, março 04, 2007
"A Papisa Joana"
Este livro extraordinário de Donna Woolfolk Cross reserva-nos uma passagem descritiva de um casamento medieval que não consigo deixar de partilhar com o mundo:
"-Que ela imite o comportamento de um cão, com o coração e os olhos sempre no seu senhor; mesmo que o dono lhe bata e o apedreje, o cão segue-o, abanando a cauda. (...)
- Por isso - continuou ele -, uma mulher deve ter um amor perfeito e indestrutível pelo seu marido. Voltou-se para o Conde Hugo.
- Que este homem seja valente como David, sábio como Salomão, forte como Sansão. Que as suas propriedades aumentem tanto quanto a sua fortuna. Que ele seja um senhor justo para a sua senhora, nunca lhe administrando mais castigos do que aqueles que ela merecer. (...)"
Isto transporta-me para pensamentos mórbidos, questões sobre a hipócrisia da sociedade.. será que mudamos assim tanto desde os tempos medievais? Ou apenas disfarçamos melhor?
"-Que ela imite o comportamento de um cão, com o coração e os olhos sempre no seu senhor; mesmo que o dono lhe bata e o apedreje, o cão segue-o, abanando a cauda. (...)
- Por isso - continuou ele -, uma mulher deve ter um amor perfeito e indestrutível pelo seu marido. Voltou-se para o Conde Hugo.
- Que este homem seja valente como David, sábio como Salomão, forte como Sansão. Que as suas propriedades aumentem tanto quanto a sua fortuna. Que ele seja um senhor justo para a sua senhora, nunca lhe administrando mais castigos do que aqueles que ela merecer. (...)"
Isto transporta-me para pensamentos mórbidos, questões sobre a hipócrisia da sociedade.. será que mudamos assim tanto desde os tempos medievais? Ou apenas disfarçamos melhor?
Teatro
Já não ia ao teatro à algum tempo.. ontem, noite de eclipse, fui ver uma comédia fantástica:
http://asvampiraslesbicasdesodoma.blogspot.com/
É uma boa sugestão para quem quer rir e chorar por mais.
http://asvampiraslesbicasdesodoma.blogspot.com/
É uma boa sugestão para quem quer rir e chorar por mais.
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
Elogio ao Amor - (Miguel Esteves Cardoso)
Relembrei um dos meus autores favoritos e gostei tanto de relembrar que decidi partilhar com vocês uma passagem.
"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e é mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, banançides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."
terça-feira, fevereiro 20, 2007
domingo, fevereiro 11, 2007
VIVA O SIM!!!!!!!!!
Finalmente a interrupção voluntária do aborto foi despenalizada! Este é um dia de glória para todas as mulheres portuguesas! Este é um dia de Vitória para a democracia!
domingo, fevereiro 04, 2007
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